Manaus, 02 de Abril de 2020

Lançamentos imobiliários crescem 15,45% e vendas têm alta de 9,7% em 2019
2 de março de 2020

O presidente da CBIC, José Carlos Martins, em coletiva à imprensa (Foto: PH Freitas)

O Brasil registrou em 2019 uma alta de 15,45% nos lançamentos e de 9,7% nas vendas de imóveis residenciais novos, em relação a 2018 – melhor resultado anual dos últimos quatro anos. Os números integram o estudo Indicadores Imobiliários Nacionais do 4º Trimestre de 2019, realizado desde 2016 pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai Nacional), divulgados nesta segunda-feira (2/3), em Brasília.

“No ano de 2019, em relação a 2018, o setor cresceu em lançamentos 15%, em vendas 10% e o estoque cresceu em torno de 4,8%”, aponta o presidente da CBIC, José Carlos Martins, confirmando que o que foi previsto no início do ano, aconteceu. “Houve equilíbrio no mercado”, menciona.

Foram analisados os dados de 90 municípios brasileiros, sendo 17 das maiores cidades, como São Paulo, Belém e Porto Alegre, e 73 outros municípios incluídos em 10 regiões metropolitanas (RM) de capitais, a exemplo de Aparecida de Goiânia, RM de Goiânia, em Goias, e Olinda, RM de Recife, em Pernambuco.

“Vimos crescendo ano a ano”, ressalta o vice-presidente da área Imobiliária da CBIC, Celso Petrucci, ao destacar o aumento dos lançamentos no período de 2016 a 2019.

As altas de 2019 foram reforçadas no 4º trimestre, quando os lançamentos de imóveis cresceram 28,3% em relação ao 3º trimestre e 8,4% frente ao 4º trimestre de 2018. As vendas de outubro, novembro e dezembro de 2019 também cresceram 13,9% quando comparadas à de julho, agosto e setembro do mesmo ano, e 9,7% frente ao mesmo período de 2018.

Lançamentos

Em números absolutos e relativos, a amostragem de lançamentos do Sudeste do país foi a que obteve a maior variação positiva no último trimestre. As entregas passaram de 21.036 imóveis em julho, agosto e setembro para 31.965 imóveis em outubro, novembro e dezembro, alta de 52%. Na comparação com o mesmo período do ano passado (30.093), a variação foi de 6,2%. Houve também alta de 19,18% entre todos os lançamentos dos municípios pesquisados na região no resultado anual, entre 2018 (68.804) e 2019 (82.003).

“O aumento das vendas em 2019, apesar de todas as regiões terem iniciado um movimento de crescimento – com exceção do Nordeste -, está localizado em São Paulo, nas classes média e classe média alta”, diz Martins.

O Sul registrou 9,15% mais lançamentos anuais – na comparação entre 2018 (12.566) e 2019 (13.716) –, além de alta de 15,1% no 4º trimestre de 2019 em relação ao 3º trimestre do mesmo ano, e de 37,3% em comparação ao 4º trimestre de 2018. O Centro-Oeste lançou 42,18% mais imóveis em 2019 (10.671) que em 2018 (7.505), nos municípios analisados. A região também registrou variação positiva de 23,9% entre o 3º e 4º trimestres de 2019 e de 0,5% entre os últimos trimestres de 2018 e 2019 (outubro, novembro e dezembro).

Confira na tabela todos resultados de lançamentos, por região e trimestre:

Vendas

Em números absolutos, o aumento nas vendas também foi expressivo nos municípios analisados dos estados do Sudeste. Foram 23.001 unidades habitacionais adquiridas no 4º trimestre de 2019, alta de 20,2% em relação ao 3º trimestre anterior (19.978 vendas) e de 8,6% na comparação com o 4º trimestre de 2018 (21.184). Foi registrada elevação também de 19,33% entre todos as vendas dos municípios pesquisados na região, na comparação entre 2018 (62.375) e 2019 (74.435).

Há destaque também para a amostragem de vendas do Centro-Oeste, que no 4º trimestre de 2019 cresceram 25,7% em relação ao 3º trimestre do mesmo ano e aumentaram 25,9% em relação ao 4º trimestre de 2018. Ao todo, a região vendeu 11,61 mais entre 2018 (9.925) e 2019 (11.078).

Na região Sul, o comparativo de vendas entre 2018 (14.056) e 2019 (16.360) aponta alta de 16,39%, sendo que o 4º trimestre de 2019 somou 7,4% mais contratos que o 3º trimestre do mesmo ano e 48,8% a mais que no 4º trimestre de 2018.

Confira na tabela todos resultados de vendas, por região e trimestre:

Oferta final e preço médio

Depois de quase três anos em queda, a oferta final disponível de imóveis novos voltou a crescer em 2019. Ela representa a diferença entre a quantidade de lançamentos e vendas. Dentro da amostragem, o número variou de 165.323 imóveis disponíveis em média, ao longo dos quatro trimestres de 2016, e fechou 2019 com uma média de 134.751 unidades habitacionais durante 2019. O tempo de escoamento final, pela média de vendas, que chegou 21,6 meses em 2016, se estabilizou ao longo do ano passado e ficou acima dos 12 meses. O fator pode influenciar no preço do imóvel, por fatores de mercado.

O Valor Geral de Vendas (VGV), que é soma do valor potencial de venda das unidades lançadas também cresceu ao longo de 2019 entre as vendas (passando de R$ 8,5 bilhões no 1º trimestre para R$ 15,2 bilhões no 4º trimestre) e na oferta final (que reuniu R$ 43,7 bilhões no 1º trimestre e chegou a R$ 50,2 bilhões no 4º trimestre).

Os preços, por sua vez, aumentaram cerca de 18,64% entre março de 2017 e dezembro de 2019, enquanto o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) subiu 11,39%.

O levantamento é uma iniciativa da CBIC desenvolvida com intuito de apoiar pesquisas existentes nas entidades, consolidando dados com uma metodologia nacional, e faz parte do projeto ‘Melhorias do Mercado Imobiliário’, realizado com a Brain – Inteligência de Mercado e Pesquisa Estratégica e correalizado com o Senai Nacional.

Minha Casa, Minha Vida

Com uma amostragem de 25 localidades (entre capitais e municípios de regiões metropolitanas) o estudo Indicadores Imobiliários Nacionais do 4º Trimestre de 2019 também analisou a participação do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (MCMV) nas entregas, aquisições e estoque de imóveis residenciais novos. O MCMV representou 50,6% dos lançamentos, 45,3% das vendas e 41,9% da oferta final total de casas e apartamentos.

“A participação do MCMV em 2019, que estava em torno de 50%, caiu para 45% em função da redução do orçamento do FGTS em cerca de 10%. Já o orçamento da Caderneta de Poupança cresceu em torno de 30%, o que a deixou com uma participação maior de mercado que a do Fundo de Garantia, que é o MCMV. Aí está a grande questão: 90% do déficit habitacional brasileiro está na faixa de até 3 salários mínimos, que é justamente o mercado onde atua o FGTS, que é o Minha Casa, Minha Vida”, alerta Martins.

Para 2020, segundo Petrucci, a expectativa é de que “como o orçamento de 2020 do Fundo de Garantia já é menor, se a caderneta de poupança crescer 15% a 20% já deve ter uma participação ainda maior”.

Instituído em 2009, o MCMV foi criado como um programa habitacional anticíclico e, na avaliação do presidente da CBIC, necessita de ajustes. A expectativa do setor é de que em breve seja criado um novo programa habitacional. “O Minha Casa, Minha Vida é um programa para aquisição de imóvel e moradia não está limitada à aquisição, pode ser via locação, leasing, revitalização de centros urbanos e lotes urbanizados, que podem ativar muito o mercado imobiliário e ajudar o Brasil a crescer”, completa.

“Para 2020, a expectativa de crescimento do mercado imobiliário é de 10%, mesmo com a redução do FGTS, que deve ser compensada com outras formas de financiamento e aquecimento de outras regiões do Brasil”, acredita Martins.

Fonte: CBIC Brasil